23 de janeiro de 2010

XVII - FITAS


   O que ela considerava como verdadeiros presentes muitas vezes não eram percebidos pelas outras pessoas, ou considerados. Num tempo não tão tão distante ela começou a perceber que ganhara um presente. Um que talvez ou mesmo provavelmente levaria consigo por toda vida. Um que os amigos que diziam para ela testar e o chamavam de dom. Um que ela admirava naquelas pilhas de livros em que ia para diferentes mundos e sensações. Mas ela possuia receio... E se não gostasse do que fizesse? E pior, se os decepcionasse? Ela não conhecia algo sobre o assunto e também não era algo que pudesse aprender em algum curso. Começou então a colocá-lo em prática, e os poucos, na verdade três, que nesse início tiveram contato com o presente elogiaram. Começou a perceber que era como um jogo, praticando ela se aperfeiçoaria. E então ela foi ganhando mais e mais presentes. Presentes que juntos formavam uma palavra: incentivo. Mal sabiam eles que ela sentia um frio na barriga a cada novo elogio, a cada nova crítica, boa ou ruim, que chegava a transpirar por saber que alguém agora lia seus textos. Ela foi perdendo o medo de se expressar através das letras. Foi deixando que as palavras fluíssem pelo papel sem se preocupar demais. Passou a acreditar em si mesma, porém isso não era um sinônimo de que já aprendera tudo. E os presentes foram se multiplicando, e as fitas dos embrulhos também. Ela guardava as fitas que envolviam todos aqueles presentes em forma de palavras. Ela envolvia e decorava seus textos com elas. Fitas que não eram feitas de pano, mas de amizade e cooperação. Fitas que ela transformava em palavras. Fitas que estavam presentes nas entrelinhas e só eram percebidas por aqueles que um dia as deram de presente para Ela. Fitas que ela guardaria para sempre


Giovanna Malavolta 

Nenhum comentário:

Postar um comentário